quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Animalecos (o úmero do cadáver)

Logo pela manhã, fui à casa de banho tentar lutar com a lombriga que me estava a fazer uma enorme comichão. Ela insistia em abanar o rabo, para meu desespero e incómodo. Isso devia-se ao facto de o papagaio não se calar nem por um minuto.

Os minutos passam rapidamente quando estou com o Freddy! O Freddy, como já sabem, é o cão da minha irmã. É um cocker americano com pêlos até ao chão que fazem como uma saia.

Então e quando a levantam, entusiasmados na festa, e transformam a saia num leque colorido? Eu também gostava de ter uma cauda assim, como a dos pavões. E depois abanava-me com ela nos dias abafadinhos de Verão.

Por outro lado, quando os dias ficam curtos e frios e caem os primeiros nevões, pego na minha coelhinha e pumba! Enrolo-a em volta do pescoço e finjo que é um cachecol de pêlo angorá… Tão fofinho como o pêlo de um gato persa ou bosque da Noruega.

Mas típico típico da Noruega é mesmo o bacalhau! Bem bom… Tantas receitas gostosas que se fazem com ele.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Elogio fúnebre (o estribo do cadáver)


Errar é humano. Tu nunca erraste (a não ser na hora da morte. Quem é que se vai deste mundo por comer uma embalagem de ervilhas congeladas?), por isso devo concluir que tu, Rodolfo, não eras humano. Sempre suspeitei aliás das antenas verdes que te escapavam da cabeça quando bebias café…

Ai e que saudades vamos ter, querido ET, do teu dedo indicador que acendia uma luzinha ao tocar nos nossos corações.

Este nosso amigo que tantas vezes nos ajudou deixa-nos numa grande tristeza. Será sempre lembrado como uma pessoa boa, alegre e amiga. Só é pena que naqueles dias «não» perdesse a calma com tanta facilidade e deixasse a sua marca naquilo que estivesse mais à mão. Oh, por falar em mão, as suas eram tão perfeitinhas…

Aliás, todo aquele ser era de uma perfeição extrema. Desde o rosto ossudo, ao corpo alongado, aos pés pequenos. Por isso é que os tamancos te assentavam tão mal… E olha, devo dizer-te que a corcunda também não te favorecia. Parecias um acidente geográfico. Ah, ah, ah Ainda hoje me fazes rir… Impecável, Rodolfo. Agora que estás desde lado comigo, já podemos brindar à vida da morte. A propósito, adoro o teu caixão. Traz os parafusos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Notícia do vespertino «Corpo Morto» (o occipital do cadáver)

Uma nova espécie de caranguejo foi descoberta no Algarve. E é única no mundo, garante a investigadora Ana Sousa que quase esborrachou o exemplar com os pés quando caminhava no lodo.

«Como vê – afirmou a amêijoa – já não se pode viver descansada aqui na Ria». Segundo a amêijoa, os passeios diários daquele casal vieram retirar toda a tranquilidade aos moradores da zona.

Realmente a força das águas provocou danos irreparáveis à aldeia chamada Zona. Muitos barcos pesqueiros desapareceram e outros foram encontrados a milhas do porto.

Tantos corpos, meu Deus! Não se sabe ainda bem como é que tudo aconteceu. Pode ter sido uma explosão nos motores – esta é a explicação mais provável. No entanto, há também suspeitas de atentado. Foi nomeado um grupo de peritos para estudarem o acidente.

«A culpa é da vaca», testemunhou José Bizarro, desempregado e residente no local. «O toiro não queria, mas ela não parava de o desafiar com o rabo, como quem enxota as moscas», concluiu.

Declarações recolhidas junto de vizinhos da vítima deixam muitas dúvidas sobre a credibilidade da versão do acusado: «Já disse à PJ que estou inocente e que nessa noite fiquei em casa a comer ovos cozidos com a minha mulher», afirmou Rafael Atalaia em exclusivo ao Corpo Morto.

As investigações vão prosseguir e admite-se já o uso do polígrafo para apanhar o coxo (ou mentiroso).

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Letra para canção (o cóccix do cadáver)

Nunca mais voltaremos a ver-nos
Depois do olhar cansado
Do mundo em que nos detemos
Oh larilolé, eh, eh, eh
E viva a malta detida
Toda a bater o pé
Para ficar de bem com a vida
Tra-la/la-la-la
Tra-la/la-la-la
E ó larilolela...
Como esta não há nenhuma
Tudo canta, tudo dança
À volta da panela
Dançando à volta dela
Cantavam os rapazes
Como és formosa, como és bela
Nos momentos de «shhiu»
Em que a tua boca de montanha
Fecha a porta e a janela.

Refrão: É assim (repete 3 vezes)